Como decola um ônibus espacial?

Por Guilherme Farias em 27 de fevereiro de 2012

Nosso leitor, Eduardo Leal escreveu e enviou para nós esse artigo. Confira!

Com as recentes notícias da aposentadoria dos ônibus espaciais, encerra-se uma áurea era do Programa Espacial Norte-Americano. O voo destes enormes veículos, por 30 anos, inspirou jovens de todo o planeta e a cultura popular: filmes como “Armadedon” e outros divulgaram para o mundo esta maravilha da ciência e tecnologia humana. Mas como funciona um ônibus espacial? Como ele decola? Conheçamos um pouco sobre eles!

Como voa os ônibus espaciais

O ônibus espacial é um veículo composto de três partes: a reutilizável, onde viajam astronautas e a carga; o tanque externo; e os dois foguetes, que impulsionam o conjunto (2 mil toneladas) pela queima de combustível líquido. O tanque e os foguetes se desacoplam do veículo ao final da decolagem, que pode passar a operar no espaço sem gravidade utilizando 44 minijatos de controle de órbita e os motores traseiros. A decolagem é realizada na vertical, enquanto o pouso acontece como o de um avião, sob trens de pouso, necessitando, portanto, de pista convencional para isso. Os ônibus espaciais foram projetados pela Nasa (Agência Espacial Americana) com asa em forma de delta e a aerodinâmica necessária para realizar o voo de retorno, após a reentrada na atmosfera da terra.



Todo o casco da nave é formado de alumínio, coberto de placas de cerâmica densas e capazes de resistir a até 2500 graus Celsius produzidos na fricção das paredes contra o ar na reentrada. O processo de decolagem é complexo: para o lançamento, é preciso que todo o conjunto receba uma propulsão na ordem de 3500 toneladas. Para isso, os cinco propulsores (os três do veículo e os dois foguetes) são acionados, simultaneamente. Há aceleração obtida – 28.268 hm/h – é superior nove vezes à velocidade de um tiro de espingarda. O primeiro estágio acontece 2 minutos após o lançamento, a 45 quilômetros de altitude: sem combustível, os dois foguetes, principais responsáveis pela propulsão até o momento, são ejetados. Eles descem através de sistema de paraquedas sobre o mar, onde são recuperados pela Marinha americana para reaproveito.

Atlantis decolando

A partir daí, os motores principais, desenvolvendo 37 milhões de cavalo-vapor e abastecidos pelo tanque externo, fazem o veículo alcançar a altitude de 110 km, 8 minutos e meio após a decolagem, a uma velocidade de 28.800 km/h. Nesse momento, perto do fim do combustível, o tanque é, também, ejetado. É a única parte não recuperável, pois se queima na atmosfera: para um novo lançamento, torna-se necessário fabricar novo tanque. Dez minutos após os motores principais também são desligados e, por empuxo, a nave continua se deslocando em direção ao espaço até entrar em órbita depois de 35 minutos. Para chegar nesta altitude, foram gastos 1,89 milhões de litros de combustível, composto de hidrogênio e oxigênio líquidos.

Finalizando a decolagem, dois motores de manobra, localizados no rabo da nave, são acionados por três minutos, colocando o veículo na altitude adequada para mantê-lo em órbita. A aposentadoria dos ônibus espaciais deixou muitas pessoas saudosas, mas jamais serão esquecidos por terem permitido a manutenção da exploração espacial durante mais de 30 anos.

O homem na lua


 

Eduardo Leal é administrador de empresas e trabalha em uma empresa de engenharia. Gosta de assuntos relacionados a tecnologia, games, curiosidades e etc. Adora ler e escrever apesar do pouco tempo livre.

2 comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>