Dicas básicas – Iniciantes no mundo da tecnologia

Por Guilherme Farias em 03 de dezembro de 2009

GuiK ensina truques com mouse, teclado, e-mail e Google.
A tecnologia está cada vez mais presente na vida de todos. Mas alguns conceitos e comandos simples são completamente desconhecidos da maioria dos usuários. Por isso, no artigo de hoje, vou dar uma série de dicas básicas sobre diversos dispositivos. Vamos lá?

Teclado
Scroll Lock
Essa tecla serve para mudar a função das setas direcionais do teclado. No modo padrão, as setas movem o cursor da tela (isso é dos tempos onde não tínhamos nem interface gráfica e tudo era em modo texto). Ao clicar em scroll lock, as setas servem para a rolagem da tela.
Poucos aplicativos fazem uso dessa funcionalidade, mas um exemplo superútil é o Microsoft Excel. Sem a tecla, as setas servem para movimentar o cursor entre as células da planilha. Com a tecla pressionada, o que se movimenta é a planilha em si, mantendo o cursor em uma determinada célula.

Pause/Break
Essa tecla, que tinha muita utilidade na época dos programas em DOS, hoje serve principalmente para parar a inicialização do PC. Ao clicar nela, podemos enxergar aquelas informações do computador que aparecem antes do carregamento do sistema.

Print Screen
Para capturar a tela do PC, existe a tecla Print Screen. Usando-a com a tecla Alt pressionada, é possível capturar apenas a tela em uso. É possível colar as telas capturadas em programas como o Paint ou mesmo direto em um documento do Word.

Ctrl
Se quiser dar ou reduzir o zoom em navegadores, programas do pacote Office ou em editores de imagem, basta segurar a tecla Ctrl e usar a rodinha do mouse. Rode-a para frente para aplicar o zoom e para trás, se quiser reduzi-lo.
O Ctrl também pode ser usado para abrir um link em uma nova aba do navegador (qualquer um deles), quando se segura essa tecla clicando no link. Se segurar o Shift, o navegador irá abrir uma nova janela.

Barra de espaço
Navegando na web – independente do navegador que você usa –, é possível contar com a barra de espaço para realizar a rolagem da página: com isso, ela desce exatamente uma tela para baixo. Segurando o Shift pressionado, acontece exatamente o oposto.

Mouse
Existem alguns truques ligados ao mouse que podemos destacar. A roda que os mouses atuais têm desempenha diversos papéis. Ao ser pressionada em um documento ou página da internet, ela ativa um modo de rolagem automático baseado no movimento do mouse: para baixo você desce até o final da página ou documento, por exemplo.
No Windows Explorer, ao arrastar um documento de uma janela para outra usando o botão esquerdo do mouse, o sistema simplesmente faz uma cópia do conteúdo. Se você fizer isso usando o botão direito do mouse, ao soltar o arquivo na outra janela, um menu de contexto será exibido dando as opções de copiar ou mover o arquivo.

E-mail
Ao mandarmos um email aparecem dois ou às vezes três campos para digitarmos o endereço. Tratam-se do CC e do CCO (ou BCC, dependendo do idioma). O campo CC é para abrigar endereços de e-mail para os quais desejamos que a mensagem seja copiada. Nesse caso, todos os destinatários saberão quem está recebendo o e-mail. Já o campo CCO (ou BCC) é destinado a uma cópia oculta: ou seja, quem estiver nesta linha recebe o e-mail também, vê os endereços dos outros destinatários, mas ninguém saberá que esta pessoa recebeu uma cópia.

Som do Internet Explorer
Aquele barulho – na minha opinião chato — que o Internet Explorer faz ao clicarmos nos links pode ser retirado. Para isso, basta ir em iniciar > painel de controle > sons > aba sons > iniciar a navegação > sons > nenhum.

Ferramentas do Google
O Google tem diversos comandos que podem personalizar as buscas, como colocar a frase procurada entre aspas: assim o mecanismo procura exatamente a frase como você a escreveu. Ele também faz contas matemáticas: para isso, basta digitar as operações no campo de busca. Para ver uma lista mais detalhada de comandos do Google leia o artigo Saiba Procurar no Google da melhor forma.

Arquivos de e-mail
Ao mandar muitos arquivos por e-mail é altamente recomendado que eles sejam compactados. Além de ficar mais fácil anexar apenas um arquivo, a redução do tamanho reduz significativamente o tempo de transferência. Fotos e imagens em formato JPG já são naturalmente comprimidas. Por isso, ao usar um programa de compressão, o resultado nesses casos será irrelevante. Mas um documento do Word, por exemplo, com e 350 KB pode ficar com menos de 150 KB.

Lixeira
Sempre que removemos um arquivo, ele vai para a lixeira e não é realmente removido do PC. Dessa forma, ocupa espaço. Esvazie a lixeira com frequência para evitar que o acúmulo de arquivos venha a deixar você sem espaço no PC.
FiM

Entrevista com o Pioneiro da Internet Brasileira

Por Guilherme Farias em 02 de dezembro de 2009

Pioneiro da internet brasileira relembra os primeiros passos da rede no país
Demi Getschko conta como foi início da navegação virtual dos brasileiros. Ele preside núcleo para implementar projetos do Comitê Gestor da Internet.
Demi Getschko, de 56 anos, é hoje diretor-presidente do NIC.br, um núcleo criado para implementar as decisões e os projetos do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). A história do engenheiro eletricista com a rede, no entanto, começou bem antes: no final dos anos 80, quando ele fazia um doutorado em engenharia na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, teve aula com um professor da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) sobre redes de pacotes, a tecnologia utilizada atualmente na internet.

Demi Getschko participa desde o início da história da internet brasileira.
Desde então, ele participa da história da internet brasileira e ajudou, inclusive, a trazer em 1991 a rede para o país. Mais precisamente para a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Por conta dos 40 anos da internet, o especialista falou para a Rede Globo sobre sua experiência pessoal com a rede e também sobre os primeiros passos da rede no Brasil.

O aniversário da internet é comemorado no dia 29 de outubro – nesta data, em 1969, foi realizada a primeira transmissão de uma mensagem entre os servidores da University of California em Los Angeles (UCLA) e o Stanford Research Institute (SRI), em Menlo Park. O objetivo era mandar a palavra “log”, mas somente as duas primeiras letras chegaram. Portanto, a primeira mensagem da história transmitida via conexão de dados foi “lo”.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista.

G1 – Qual foi seu primeiro contato com a internet?
Demi Getschko – Nos anos 80 fiz doutorado na Poli, onde tinha um curso com um professor da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) sobre redes de pacotes, que é a tecnologia utilizada na internet. Esse foi o meu primeiro contato com a teoria ao redor de redes como a internet.

G1 – E quando o senhor chegou a usar a rede pela primeira vez?
Getschko – Antes de usarmos a internet, nós usávamos outra rede. No Brasil, desde 1987, nós estávamos nos conectando a redes acadêmicas. A primeira que usamos se chamava Bitnet [sigla para “Because It’s Time Network”, uma das maiores e mais antigas redes de grande abrangência usadas principalmente por universidades].
Nos anos 80, a internet começou a ganhar impulso e passou a ser a rede que iria absorver todas as demais.
Nós aqui no Brasil começamos na Bitnet, depois passamos para a HEPNet [high energy physics network] e em fevereiro de 1991 já começamos a trocar pacotinhos com protocolo TCP/IP [a base da infraestrutura de comunicação dos computadores conectados à internet]. Na verdade a popularização da internet aconteceu mais ou menos ao mesmo tempo nos EUA também.

G1 – O senhor não chegou usar a internet nos EUA antes?
Getschko – Eu cheguei a fazer isso em 1989, mas usar lá não vem ao caso, não é? O que significa usar a internet, usar a Bitnet ou outra rede do tipo? Na época, no final dos anos 80, as redes acadêmicas eram usadas para troca de correio eletrônico e para envio de arquivos. Se você conseguisse mandar e receber e-mail e mandar e receber arquivos você estava bem servido.
A internet teve uma potencialidade maior porque ela podia ter serviços. E a internet virou o que conhecemos depois que a web entrou no ar. Quando você pergunta se eu usei em 1989, usei. O que eu fiz? Bati num terminal de texto um monte de caracteres e mandei correio eletrônico. Não havia imagens, não havia som, desenho, nada. Era esse o serviço que você tinha na rede.

G1 – Você acredita que pode ter sido o primeiro brasileiro a usar a internet?
Getschko – Certamente não. Muitos brasileiros que estavam no exterior fazendo doutorado, mestrado, trabalhando, usavam essas redes muito antes de que nós conseguíssemos usá-las aqui no país.
Quando ligamos o Brasil às redes acadêmicas, trouxemos para cá um serviço que era comum lá. E parte da pressão para trazer isso veio deles. Eles voltavam e diziam: “lá era muito fácil, eu mandava um e-mail para o meu orientador, eles devolviam com um comentário da minha tese”.
Então a Fapesp, como era um órgão que apoiava a pesquisa, tomou para si o fato de trazer pra cá essa facilidade. Eu, como usuário de correio eletrônico, sou muito posterior ao que o pessoal usava lá fora. A minha ação nesse cenário foi ter ajudado a trazer pra cá algo que era usado lá fora.

G1 – A internet só surgiu no Brasil em 1991, na Fapesp. Conseguia explicar para os brasileiros não envolvidos com tecnologia do que se tratava a rede?
Getschko – A rede que nós tínhamos antes da internet era basicamente correio eletrônico. Tinha outra coisa interessante, que eram listas de discussão: elas funcionavam bem e usamos com sucesso no Brasil. No final dos anos 80, nos EUA, já tinha caído a ficha de que era preciso migrar para redes com mais perspectivas para o futuro.
Essa nova rede era a internet, com alguns serviços a mais e a possibilidade de trabalhar com velocidades mais altas do que a Bitnet, que era intrinsecamente lenta e não servia para serviços interativos de passar dados ou conversas. Em 1986, começava a ficar claro para a comunidade científica que, se você queria uma rede com mais futuro e mais serviços, era melhor ir na direção do TCP/IP.
Como estávamos ligados a um laboratório americano de física, nós perguntamos a eles como estavam as coisas. Eles então nos disseram que iriam migrar e injetar na nossa linha também internet. Isso por volta de 1990, e eles acabaram levando a gente de carona. Então, no final do ano, passamos a usar também a internet no Brasil. Em 1996, desligamos a Bitnet.

G1 – Quais os primeiros usos da internet no Brasil? Tinha algum uso para entretenimento?
Getschko – Tinha uso para entretenimento, sim. Um exemplo era uma lista de discussão sobre ópera, na Bitnet, criada por um membro do Rio de Janeiro. E ninguém imaginava que a lista tinha sido criada no Brasil, porque uma lista sobre ópera criada por aqui era meio impensável. A lista era toda em inglês e o pessoal que participava era quem montava ópera em Nova York, Munique. Eles entravam, discutiam e não sabiam que a lista era rodada no Brasil, na Fapesp. Foi um sucesso. A comunidade até hoje existe.

G1 – Tem alguma situação engraçada ou curiosa desse começo do uso da internet no país?
Getschko – Uma coisa que nos divertia muito no começo da Bitnet foi uma lista chamada Brasnet, que era ‘brasileiros na net’ e que unia o pessoal de fora. Tinha um pedaço na costa americana, na Europa e no Brasil, na Fapesp. Era uma lista de brasileiros que estavam no exterior e que trocavam informações sobre onde se encontrava farinha em não sei onde, outro encontrou cachaça em tal lugar. Todo dia tinha mensagens da Rádio Uirapuru de Itapipoca. Ele escrevia uma rádio em texto, dava o noticiário, festa junina, fazia toda a narração das piadas, festas, tudo em texto. Essa lista chegou a ter uns 800 membros.

G1 – Nesses 40 anos de internet, tem algum rumo que a rede tomou que o senhor não goste? Algo que desaprove, que gostaria que fosse diferente?
Getschko – Minha visão é que a internet e as redes acadêmicas têm uma característica de inclusão, de abertura, de oferecimento gratuito de serviços. Quando a internet começou a ficar popular, várias ondas de novos usuários começaram a entrar e a rede conseguiu catequizá-los. Algumas pessoas entravam com propósitos mais comerciais: o primeiro spam, por exemplo, foi por essa época. A rede foi sucessivamente assaltada por iniciativas que fugiam do seu caráter inicial.
Mas estranhamente ou felizmente, ela conseguiu sempre catequizar esse pessoal. A rede acaba sempre se defendendo, aparecem filtros, ela tem uma tendência a se defender contra o que é ruim e a lentamente expurgar essas atividades. Até economicamente. Por exemplo: quando apareceram os primeiros navegadores houve uma tendência a cobrar pelos browsers e depois ficou claro que isso não funcionava, pois apareciam as alternativas gratuitas.
Ainda hoje a rede tem essa característica de estimular soluções que em geral são abertas e grátis. A internet é um lugar onde você pode lançar um serviço novo sem ninguém perguntar quem aprovou isso. No final, quem julga se deu certo é a rede em si.

G1 – O senhor usa internet há quase 30 anos. Consegue acompanhar a velocidade da tecnologia na forma como ela se desenvolve atualmente?
Getschko – Eu faço o possível pra isso. Eu me classifico como imigrante, pois não nasci na rede: ela foi criada quando eu já estava crescido. O pessoal que vai muito bem na rede é aquele que já nasceu com ela existindo, é um pessoal que não consegue imaginar o mundo sem a rede porque quando nasceu ela já existia. São os nativos da rede.
Eu continuo usando tudo que já usava, mas não sou um blogueiro ativo, uso o Twitter de forma menos intensa. O pessoal jovem consegue falar com três pessoas ao mesmo tempo e ainda fazer um joguinho. Existe uma diferença de comportamento em relação à rede.

G1 – Que sites e serviços on-line o senhor não consegue mais se imaginar sem?
Getschko – Eu certamente não consigo me imaginar sem o serviço de busca, outra revolução na rede. O Google, hoje, acho que é uma unanimidade. Para começar é espantoso que isso tenha sido feito. Eu sou um sujeito da ciência da computação e se me perguntassem em 1980 se isso era possível eu ia dizer que não. Mas não só é possível como fizeram. Eu certamente não viveria também sem correio eletrônico.
O resto eu leio notícias em sites de jornais importantes. Mas isso ainda é uma repassagem para o mundo virtual do que eles faziam no mundo real. Lentamente isso vai ficando mais dinâmico.
Já coisas como o Twitter nasceram no mundo virtual e têm um jeitão diferente do que as coisas que migraram. Eu sou um sujeito que fui migrado, não nasci no mundo virtual, então sou meio quadrado nessa área.
[Fonte: G1]

Celular fica sem sinal quando acontece um apagão?

Por Guilherme Farias em 30 de novembro de 2009

Depois do blecaute que ocorreu em novembro de 2009, GuiK investiga como é o funcionamento da rede de telefonia celular em casos de falta de energia.
Ao final de 2001 o Brasil enfrentou uma crise de energia – graças à falta de investimento na geração elétrica – que culminou na ameaça de racionamento forçado através de apagões – períodos em que determinadas áreas do país ficariam sem receber eletricidade. Devido a um grande número de fatores, em fevereiro de 2002 a distribuição de energia voltou ao normal, mas a lição foi aprendida e o país começou a investir novamente em geração elétrica.

Com isso, o risco de racionamento de energia – como o enfrentado em 2001 – foi afastado da população. Porém mais usinas não significam uma existência com eletricidade de sobra. Em novembro de 2009 – mais precisamente no dia 10, uma terça-feira – várias cidades do país, São Paulo e Rio de Janeiro inclusive, viram-se completamente às escuras. Provavelmente causado por eventos atmosféricos, o apagão chegou a manter São Paulo na escuridão por mais de três horas.

Funciona quase normalmente
A situação em 2009 foi bem diferente daquela de 2001, uma vez que o racionamento era programado, e o apagão pode mesmo ser chamado de blecaute – queda acidental da transmissão ou geração de energia elétrica. Mas outro fenômeno também chamou atenção durante o tempo foi o uso massivo de redes de telefonia celular durante o período sem eletricidade. Além das ligações para centrais de emergência, amigos e familiares, o Twitter – por exemplo – recebia atualizações constantes sobre a situação em diversas cidades, graças a usuários portando seus smartphones e notebooks com conexão 3G.
Mas como é possível que aparelhos que dependem de toda uma estrutura – antenas e estações retransmissoras – que utiliza eletricidade possam funcionar quando o fornecimento falha?

Suprimento de emergência
Toda a estrutura da rede de telefonia celular – em caso de problemas com o fornecimento de eletricidade – passa a operar a partir de baterias cuja duração varia de duas a quatro horas, dependendo da frequência das chamadas. Passado esse período, se a distribuição de energia não for normalizada, algumas estações em pontos cruciais para o funcionamento da rede ainda contam com geradores a óleo, de forma a manter o funcionamento básico da rede. Caso tanto as baterias quanto os reservatórios de combustível dos geradores se esgotem, a rede cai completamente até o retorno do fornecimento pela rede elétrica.

Como proceder
Como ligações, acessos 3G e até mesmo SMS consomem energia nas centrais telefônicas, recomenda-se evitar o uso de seu aparelho celular durante um blecaute – salvo em casos de necessidade ou emergência. Como derrubadas no fornecimento de energia normalmente são – na maioria dos casos – resultado de desastres, é essencial que as linhas de comunicação estejam disponíveis para as forças de resgate e socorro – bombeiros, polícia e defesa civil.

Cadê o sinal?
A rede de telefonia celular é composta por várias antenas de diversas operadoras espalhadas por todo o território de cobertura. As centrais telefônicas anexas às antenas são responsáveis por garantir que, ao sair da área de cobertura de uma antena, seu sinal seja imediatamente captado por outra, sem interrupções na sua chamada.
Durante um apagão como o acontecido no começo de novembro, algumas das centrais param de funcionar antes de outras, efetivamente desativando algumas antenas. Dessa forma o sinal que – durante o funcionamento normal da rede elétrica – se mantinha estável agora passa a depender de antenas cada vez mais distantes. Isso consome mais bateria do seu aparelho, diminui a qualidade da ligação e, em muitos casos, impede mesmo seu funcionamento por falta de sinal.

Imagine então antenas muito distantes, funcionando graças a baterias, e trafegando uma carga de transmissão milhares de vezes maior do que o normal, já que todos querem usar a rede ao mesmo tempo. Claro que o funcionamento fica prejudicado, e a própria insistência do usuário pode se tornar responsável pela queda definitiva – até o retorno do fornecimento normal – do serviço, ao desgastar as fontes de energia de segurança do sistema.

Como anda o avanço do PLC no Brasil

Por Guilherme Farias em 30 de novembro de 2009

Como anda o avanço do Power Line Communication no Brasil
veja a entrevista do técnico em telecomunicações da paranaense Copel, Tassilu Faria, para esclarecer algumas dúvidas sobre esta tecnologia que promete revolucionar a oferta de banda larga no Brasil.
A Power Line Communication – ou PLC – é uma das maiores promessas no que diz respeito a uma maior difusão das redes de banda larga disponíveis no Brasil. Através desta tecnologia, os sinais de telecomunicação utilizam o mesmo meio físico que a energia elétrica para se propagar, sem que um cause nenhum tipo de interferência no outro. Isso porque estes sinais operam em frequências diferentes: 50 e 60 Hz para a energia elétrica e 1 a 30 Mhz para a conexão PLC.

Preocupados em trazer sempre as informações mais recentes aos nossos leitores, entrevistamos Tassilu Faria, técnico em telecomunicações da Companhia Paranaense de Energia – Copel, que esclareceu uma séria de dúvidas relativas à nova tecnologia, além de falar sobre os testes realizados na cidade de Santo Antônio da Platina. Abaixo você confere o resultado deste bate-papo.

Requisitos para que a tecnologia funcione de maneira correta
Uma das grandes vantagens da PLC é que a tecnologia funciona transmitindo dados de telecomunicação através do mesmo fio utilizado pela rede elétrica, presente em 95% das residências do Brasil. Ou seja, não é preciso passar nenhum tipo de cabeamento para que a rede seja capaz de chegar até a casa do usuário. Porém, não pense que basta simplesmente conectar o modem específico na tomada para começar a pegar o sinal: uma série de etapas é necessária para que a PLC possa ser utilizado corretamente.

Segundo Faria, antes de tudo é preciso instalar um modem PLC conhecido como Master na rede elétrica secundária de baixa tensão: os transformadores, vistos com frequência nos postes de luz espalhados pela cidade. No estado do Paraná, cada um desses transformadores é responsável por fornecer energia a 50 residências, em média – e, somente após o Master ser instalado, o sinal PLC é transmitido.

É preciso levar em conta que a Power Line Communication depende da qualidade tanto da rede pública externa quanto da qualidade da rede elétrica interna de cada residência. Resolver os problemas na rede externa é tarefa fácil: basta trocar conectores defeituosos, emendas mal feitas e filtrar a iluminação pública para que tudo funcione corretamente.

O maior problema está nas próprias residências: é muito comum encontrar redes elétricas feitas com produtos de má qualidade, ligadas de forma errada ou simplesmente mal projetadas. Nestes casos o sinal PLC pode sofrer uma série de interferências que podem impedir seu funcionamento. Corrigir os problemas encontrados é essencial para a boa transmissão de dados, além de diminuir problemas com a rede externa e tornar a residência mais segura.

Testes para tornar o PLC viável
Desde abril de 2009 Copel está testando a tecnologia em 90 residências localizadas na cidade de Santo Antônio da Platina, região do Norte Pioneiro do Paraná, com resultados satisfatórios. No que diz respeito à velocidade da conexão, foram detectadas taxas que variam entre três e 33 Mbps, com uma média de 20 Mbps, valor superior à maioria das alternativas hoje disponíveis no mercado.

Uma das vantagens da Power Line Communication em relação aos demais tipos de conexão disponíveis atualmente é que o usuário não precisaria pagar por um plano de dado fixo que determina a velocidade de acesso e o limite de banda a ser utilizada. Cada usuário paga somente pelo o que realmente consome, utilizando sempre a maior velocidade de conexão disponível no momento.

“Se for fazer uma analogia com água, você está pagando pela grossura do tubo, não pela quantidade de água que consome”, diz o técnico em telecomunicações Tassilu Faria sobre os planos de banda larga disponíveis atualmente. “A cobrança de internet deve ser pelo volume de dados que a pessoa utiliza, não pela velocidade contratada. A velocidade tem que ser a maior possível”, complementa.

Apesar de os resultados obtidos até agora terem sido satisfatórios, Faria afirma que ainda é muito cedo para pensar em implementar a rede em escala comercial ou falar em valores que o consumidor final poderia pagar pelo serviço. Segundo ele, atualmente a Copel está na fase de testar qual a melhor forma de implementar a tecnologia: primeiro é necessário saber quais procedimentos tomar e a melhor forma de resolver problemas que surgem, ao mesmo tempo em que se procuram soluções que diminuam os custos e facilitem a instalação.

Um exemplo de desafio enfrentado durante os testes em Santo Antônio da Platina está relacionado à interferência causada pelo uso de lâmpadas fluorescentes em residências onde a PLC está presente. A primeira solução encontrada para resolver o problema foi a instalação de filtros em cada lâmpada, um processo que se mostrou inviável pois a variedade de filtros disponíveis no mercado, tanto os nacionais quanto os importados, costumam ter um preço elevado.

A segunda solução para o problema surgiu através de um fabricante capaz de produzir luminárias com reatores que não geram ruídos na rede elétrica. Porém, a solução que se mostrou mais fácil e barata foi utilizar ferrites – encontrados normalmente em fontes para notebook ou cabos para a transferência de dados em câmeras digitas-, que podem ser feitos de maneira simples por qualquer eletricista com um pouco de experiência. Para quem não sabe, ferrite é um material ferro-magnético responsável por evitar a propagação de ruídos durante a transmissão de dados.

É este o tipo de desafio que a equipe da Copel enfrenta com o objetivo de descobrir soluções para que a Power Line Communication se torne uma opção viável de conexão quando comparada às redes disponíveis atualmente, seja através de linha telefônica, cabo ou Wi-Fi. O atual enfoque da pesquisa é buscar soluções para os problemas que surgem e formas de facilitar o percurso do sinal, tornando a instalação tão fácil quanto a de uma linha telefônica ou ponto de TV a cabo.

Novas etapas de testes
A previsão inicial é que os testes realizados em Santo Antônio da Platina terminem em dezembro de 2009: baseada nos resultados obtidos, a Copel deve determinar se o período será prolongado ou se já é possível partir para a segunda etapa de testes, que envolve um piloto comercial, com cidade que ainda deve ser determinada.

Nesta segunda etapa de testes, o foco é outro: enquanto em Santo Antônio da Platina quem pode testar a Power Line Communication fez isso em caráter voluntário, para entrar na segunda fase será necessário pagar pelo serviço, como se o usuário estivesse contratando outro serviço de conexão qualquer. O número de usuários também aumentaria de 90 domicílios para cerca de dez mil residências diferentes.

Esta nova etapa é necessária para testar a rede disponível em uma nova relação de exigência entre o fornecedor do sinal e os indivíduos que recebem a PLC em casa: em vez de voluntários, a Copel terá de lidar com consumidores reais, que são mais exigentes no que diz respeito à qualidade do serviço prestado e são menos tolerantes com instabilidades na rede. Com os resultados obtidos nesta etapa será possível determinar fatores como o grau de exigência do consumidor e qual a periodicidade de manutenção que a rede deve ter, sem contar nos custos que isso implicará para a distribuidora.

Partir para a terceira etapa, que seria a implementação em escala comercial, depende muito dos resultados obtidos anteriormente. Somente após a análise minuciosa dos dados obtidos será possível determinar a viabilidade econômica de utilizar em grande escala a PLC no Brasil. Tassilu Faria adianta que isso só será possível caso haja investimentos, tanto da iniciativa privada quanto do governo no sentido de baratear os custos: atualmente todos os modens utilizados têm de ser importados, e estão longe de serem viáveis para a maioria dos consumidores. Somente com muito investimento é que dentro de alguns anos será possível utilizar esta tecnologia que promete revolucionar a oferta de banda larga no país.

Como funciona o reconhecimento de voz?

Por Guilherme Farias em 29 de novembro de 2009

Você já se perguntou como alguns programas reconhecem a voz das pessoas? neste artigo vamos detalhar o funcionamento desses sistemas para você.
Quando se fala em reconhecimento de voz, automaticamente nossas lembranças são voltadas para filmes de ação e espionagem, com lugares impossíveis de ser invadidos e que requerem sistemas complexos para identificação. Normalmente nesses cenários, determinada pessoa precisa pronunciar palavras-chave, que são ouvidas por um computador para confirmar a identidade do locutor.

Embora esse também seja um exemplo de aplicação para o ramo da tecnologia de reconhecimento de padrões que lida com os sons, existem formas de uso mais próximas ao nosso cotidiano do que você imagina. Por exemplo, você já recebeu atendimento eletrônico no qual ele pedia que você “falasse a opção desejada”?

Programas de atendimento eletrônico fazem parte dessa tecnologia. Eles ouvem o som emitido pela sua voz, classificam as sílabas e é aplicado um método de busca para associar estas informações com padrões de palavras a fim de encontrar semelhanças. Um aplicativo relativamente comum para celular e que tem feito sucesso entre os usuários e que também pode ser enquadrado nesta categoria é aquele que ao “ouvir” determinada música faz a identificação dela e de seu autor.

A partir disso, você já deve ter se lembrado de algumas outras aplicações comuns para o reconhecimento de voz. Agora é bem possível que você deva estar se perguntando como um computador reconhece a voz de determinada pessoa a partir de uma mera palavra. Abaixo vamos tratar como esse reconhecimento é feito.

Como é feito o reconhecimento de voz
Para que o computador reconheça o som da sua voz juntamente com a fonética da palavra pronunciada e efetue a aplicação desejada, ele precisa encadear uma sequência de passos. Primeiro ele precisa digitalizar a fala que se quer reconhecer. Para isso, ele utiliza um conversor analógico-digital que capta as vibrações criadas pela sua voz e converte essas ondas em dados digitais.

Em seguida, aplica-se uma medida para cada uma das ondas captadas e o som digitalizado é filtrado para separá-lo de ruídos e interferências. Então, efetua-se uma computação das características que representam o domínio espectral (frequências) contido na voz. Nessa etapa do processo, o som pode necessitar ser sincronizado, pois as pessoas não costumam utilizar o mesmo tom e nem sempre falam na mesma velocidade. Isso consiste em um ajuste com modelos de som já armazenados na memória do classificador.

Então essa digitalização é separada em frações ainda menores, ou seja, sons fonéticos não maiores do que uma sílaba. Em seguida, o programa compara os sons captados com fonemas conhecidos e presentes em seu banco de dados que correspondam ao idioma que o locutor tenha falado. Em outras palavras, é aplicado um método de busca para associar as saídas com padrões de palavras e da voz de quem as emitiu.

Por último, o sistema analisa o resultado e o compara com palavras e frases conhecidas e, como resultado, ele identifica o que seu usuário disse e converte para a funcionalidade desejada (texto em uma planilha, um comando, o reconhecimento do usuário, etc.).

Padrões de classificadores
Para esse tipo de sistema, existem basicamente dois tipos de classificadores: aqueles que possuem um vocabulário restrito e os que contam com um grande número de palavras e frases em seu banco de dados.

Os sistemas que possuem um número de palavras mais limitado em seu banco de dados são aqueles aplicados para utilização por um grande número de usuários. Este calculador é programado para ser mais generalizado e embora haja variedade na fala (como diferentes tons de voz, sotaques, etc.) ele tem uma grande capacidade de reconhecimento. Um bom exemplo disso são os atendimentos eletrônicos citados no começo deste artigo.

Os programas com um vocabulário mais completo são indicados para um pequeno número de usuários. Este calculador é programado para ser mais específico e é indicado para quando um grupo pequeno de pessoas (ou até mesmo apenas uma) vá utilizá-lo. Esse sistema precisa ser treinado para adaptar-se à voz de cada um de seus usuários e o grau de precisão de seu reconhecimento é consideravelmente maior do que um que possua menos palavras. Os programas que convertem a fala em texto são um exemplo de aplicação.

Dificuldades e pontos fracos
Algumas das complicações mais conhecidas com relação aos sistemas de reconhecimento de voz são, por exemplo, com relação à fala contínua. Para o cérebro humano é fácil ouvir uma frase e rapidamente fazer a junção entre as palavras. Já para um computador, ele compreende mais facilmente se cada palavra for pronunciada separada e pausadamente em uma frase.

Há alguns anos, esse era um grande tabu para os programas que faziam reconhecimento, embora ainda hoje esse problema ainda possa ocorrer em determinados sistema. Outro problema relacionado a isso é a pronuncia. Por exemplo, a frase correta seria “como você está?”, porém a maioria das pessoas falaria “como ‘cê tá?”.

Para um classificador isso representa uma grande diferença e ele pode acabar por entender uma frase completamente diferente do que aquela que foi pronunciada. Regionalismos, como sotaques e dialetos também podem alterar bastante a maneira como certas palavras ou frases são faladas e, portanto, a interpretação do sistema.

Outra dificuldade encontrada por estes sistemas é a de separar falas simultâneas de vários usuários. Quando utilizados para “transcrever uma reunião”, por exemplo, eles podem ter problemas na identificação de palavras que foram sobrepostas porque duas pessoas falaram algo ao mesmo tempo.

Isso acontece porque o programa precisa “ouvir” as palavras faladas de maneira correta para que possa diferenciá-las. Muitas falas ao mesmo tempo (ou excesso de barulho) podem fazer com que ele perca o foco e não funcione corretamente.

Homônimos (como “conserto” e “concerto”) representam outro problema para alguns classificadores, pois não é possível diferenciar tais palavras baseando-se apenas no som. Pensando nisso, alguns já foram treinados para levar em consideração o contexto da palavra, resolvendo tal problema.

Por que tanta complexidade? A resposta é simples, lembre-se que o classificador precisa fazer o tratamento de frases divindo-as em palavras. Para isso ele precisa reconhecer em que momento cada palavra começa e termina. A partir disso ele cria a cadeia dos sons enfileirando os fonemas, montando palavras e construíndo as frases. Se as vezes até nós não conseguimos compreender uma frase vinda de outra pessoa, imagine uma máquina.

Aplicações
Existem várias aplicações comuns para esta tecnologia. Além das já citadas durante o texto (atendimento eletrônico, conversão de fala em texto, reconhecimento de música/autor e de pessoas), ainda existem as que são responsáveis por uma série de aplicações para telefones celulares, como a discagem falada (que reconhece o nome armazenado na memória e inicia a ligação), por exemplo.

Outra aplicação ao reconhecimento de sons que tem sido utilizada é a de identificação de disparos. Para ela, é utilizado um programa que reconhece de onde veio um tiro, a partir de uma série de captadores que recebem o som. Em seguida ele analisa o tipo de ruído para diferenciá-lo de fogos de artíficio, morteiros, rojões, etc. E, por último ele calcula dados como velocidade e intensidade do som para poder calcular as coordenadas da emissão do disparo.

Programas para acessibilidade relacionados à fala e reconhecimento dela também utilizam tal tecnologia para suas funções.

Futuro da tecnologia
Uma vez tendo em mente a linha do tempo que esta tecnologia atravessou e quanto já evoluiu (especialmente ao número e variedade de aplicações) nos últimos anos, ela tende a se aperfeiçoar e difundir cada vez mais. Para um futuro mais próximo, pode-se pensar em algo como novos programas para celular que façam uso do reconhecimento de voz.

Outra coisa mais palpável seria a melhoria dos programas de acessibilidade, conversão de fala em texto e interpretação de voz por atendimento eletrônico. Para um futuro um pouco mais distante, pode-se imaginar um tradutor simultâneo, que interprete palavras em um idioma e consiga automaticamente buscar seus equivalentes em outro idioma, por exemplo.

Ainda pensando em termos de futuro a longo prazo, podemos imaginar nossas casas como a da família “Jetson”, com mecanismos sendo ativados por comandos de voz, opção de escolha de refeição apenas indicando para a máquina o que você deseja e com robôs domésticos capazes de interpretar sua solicitação e até mesmo manter um grau de conversação coerente.Como funciona o reconhecimento de voz?

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